Postagens

A Lista

Imagem
  Fiz uma lista. Como uma obrigação que ninguém obriga, mas que sente ela na mente, gruda feito lêndea no fio de cabelo da consciência, incomoda como uma coceira bem no meio das costas fazendo cócegas no miolo do cérebro.  Sentei, e me pus a escrever a tal seleção inútil de acontecimentos experienciados durante o ano... difícil. Sem dúvidas. Longe muito de ser uma alma que transcende esoterismos, eu sou; a uma boa distância de figurar-me derrotista, também:   sou uma tentativa de ser equilíbrio e quis enxotar as lembranças especificamente ruins. Elas têm o seu lugar, decerto. Alguma coisa aprendi com experiências más, é possível. Quando nada, podemos evitar repetir erros. Porém, expulsei pensamentos mesquinhos tão potentes, tão bem alimentados pela quase instintiva mania de maximizar aquilo tudo que machuca. Eis o exercício das primeiras horas: ao decidir-me pela lista que ninguém pediu, bloquear o turbilhão de sensações ruins pelas quais passei, pois não foram ún...

Atividades físicas: tenha um corpo e só comece.

Imagem
O imaginário popular cristalizou a ideia de que há um determinado biotipo corporal para fazer exercícios. Ou pior, que atividades físicas existem com o único e principal propósito: emagrecer.   (A mídia, as propagandas e até às academias de ginástica ajudaram nessa propagação falaciosa). Não é verdade que pessoas gordas não possam se exercitar e, menos verdade ainda, que estas pessoas precisam usar de atividades físicas com o único intuito de emagrecer. Todo corpo precisa de movimento e todo corpo pode se movimentar. A única necessidade que os corpos precisam para iniciar uma atividade física é querer, ter determinação, vontade, disposição. Atividades físicas agregam um sem número de benefícios, entre eles: melhora da circulação; pode diminuir e controlar diabetes; reduz risco de pressão alta; promove músculos e articulações mais saudáveis;  fomenta disposição e, na perspectiva mental, os exercícios físicos tornam-se um método perfeito para apreensão de aprendizado pois a...

Libera Femina

Imagem
Eu vi seu corpo bailando entre a terra e o céu. Ela corria. Corria. Não parecia desespero. Não se diagnosticaria pressa. Saltava. Vestia branco. Havia algumas nódoas oportunistas no seu vestido. Babados. Véus. A meia sofrera com os obstáculos que se impunham em seu caminho. A maquiagem já não era aquela da primeira hora. Era outra. Combinava com o seu estado. Seus cabelos não tinham cor precisa e bailavam com o vento. Deliciosa. Fresca. Corria. Numa das mãos da fugitiva, notei estranho troféu confeccionado de rosas brancas e laços de fitas. Ela nunca olhou para trás. Figura sedenta. Passava entre os carros, sobre poças, ignorava o escaldante asfalto mesmo sem já possuir calçados que protegessem seus pés. Qual? Sentimentos terrenos, dó, solidão, culpa, medos? Pertences pesados de uma vida esparramados, abandonados pelas vielas que a moça atravessava, e ela já não sufocava, respirava ofegante a delícia de ser.  Abandonava um passado mui recente. As dores da existência pretérita esvai...

Não se compare. Inspire-se.

Imagem
A ação de se comparar com outras vivências é um hábito que atrapalha a sua evolução pessoal. A energia gasta com comparações fatalmente ignora pontos importantes no percurso entre você e outra pessoa. Normalmente se esquecem as intersecções necessárias para entender por que o outro tem algo que você não tem neste momento, ou conquistou algo que você queira, seja conquistas de bens materiais, estéticos ou acadêmicos. A comparação é falha e perigosa porque contamina suas possibilidades de ações, infecta sua determinação e pode te paralisar na sua caminhada. Da mesma maneira que internalizamos quase como um mantra a máxima "só basta querer para você conseguir", devemos começar, não a ressignificar a frase constantemente bombardeada em nossas mentes, desde as canções infantis até a condição adulta, onde o mundo corporativo dissemina falsas meritocracias, mas dessignificar, extirpar este pensamento. Nos vendem massivamente a ideia de que o universo precisa ser disputado pois n...

Nosso corpo não é público.

Imagem
  Se fosse dado o direito de escolhas à qualquer mulher brasileira, certamente, uma delas seria poder andar na rua tranquila, sem assédios, sem palavras inoportunas recebidas de homens anônimos e aleatórios, que autorizados pelo machismo e misoginia, sentem-se totalmente possuidores do direito de importunar desconhecidas transeuntes. A brasileira naturalizou os assédios constantes. Não estarei aqui exagerando em nenhum ponto se afirmar que todas, exatamente todas as mulheres que vivem neste país têm alguma experiência com assédios masculinos em suas jornadas. É possível que haja uma ou outra que não saiba descrever como assédio aquelas importunações masculinas nas ruas. Porém, o fato existe, é constante, é diário. A sacralização do corpo feminino é um estorvo para mulheres que têm seus corpos constantemente controlados, seja pela religião, pelo Estado, pela sociedade em geral que ditam regras morais a seguir mediante punição, sejam elas físicas ou simbólicas para aquelas que ...

Rebele-se: aceite seu corpo e derrube o sistema que lucra com sua baixa autoestima.

Imagem
Imagina você ter os pés amarrados, fraturados, curvados e, por fim, deformados,  desde a mais tenra infância, para que eles coubessem em sapatinhos que não passavam de 10 centímetros de comprimento e isso lhe conferisse status social, sensualidade, beleza, perante ao padrão de exigência e dedicação sexual masculino. Os pés de lótus foi um costume que se iniciou no século X, nas altas classes chinesas, até virar padrão de beleza disseminado em todas as esferas sociais, e durou séculos, até a prática ser finalmente proibida em meados do século XX naquele país. No século XV, por exemplo, as mulheres deveriam ser mais robustas, de quadris largos, seios fartos; na era vitoriana ( séculos IX), elas deveriam se espremer dentro de espartilhos apertadíssimos para caberem nas exigências de  cintura da época, que não deveria ser maior que 53 cm...  diz-se que daí surgiram, além de graves problemas de saúde com os órgãos internos, dietas estapafúrdias e os primeiros casos regis...

Passo a passo para cultivar o amor

Imagem
  Foto: George Lima Foto: Canva  Tenha uma plantinha, coloque-a no vaso adequado para o tamanho dela, ponha terra e regue com a frequência necessária para a espécie. Ela crescerá linda e você terá muito orgulho dela. Agora, digamos que você conheceu alguém super legal e essa pessoa logo percebeu que a sua plantinha estava linda, verdejante, frondosa, muito bem cuidada. E quando você menos esperava, ela estava com uma outra plantinha, ainda em muda, te ofertando. Acreditou que você também seria capaz de cuidar desta outra plantinha. E você, que ama plantas, ficou radiante ao ter mais um espécime no seu quintal. Você trocou o vaso, colocou mais terra, adubou, regava todos os dias. E esta plantinha já estava crescendo bem saudável. Mas, um dia, algo te entristeceu. Você percebeu que a sua primeira plantinha estava murcha, de galhos quebradiços, prestes a morrer. Aquela que você cuidava há muito tempo, desde pequenininha, quando seus pais plantaram a sementinha junto com v...