Nosso corpo não é público.
Se fosse dado o direito de escolhas à qualquer mulher brasileira, certamente, uma delas seria poder andar na rua tranquila, sem assédios, sem palavras inoportunas recebidas de homens anônimos e aleatórios, que autorizados pelo machismo e misoginia, sentem-se totalmente possuidores do direito de importunar desconhecidas transeuntes. A brasileira naturalizou os assédios constantes. Não estarei aqui exagerando em nenhum ponto se afirmar que todas, exatamente todas as mulheres que vivem neste país têm alguma experiência com assédios masculinos em suas jornadas. É possível que haja uma ou outra que não saiba descrever como assédio aquelas importunações masculinas nas ruas. Porém, o fato existe, é constante, é diário. A sacralização do corpo feminino é um estorvo para mulheres que têm seus corpos constantemente controlados, seja pela religião, pelo Estado, pela sociedade em geral que ditam regras morais a seguir mediante punição, sejam elas físicas ou simbólicas para aquelas que ...